Tópicos Especiais - Gestão do Conhecimento e Ferramentas de Busca  (2006/01)

Considerações complementares:

Internet e motores de busca são quase sinônimos. Segundo os especialistas, as ferramentas das próximas gerações serão capazes de “raciocinar” e “entender” aquilo que está sendo buscado, oferecendo respostas contextualizadas e com maior precisão e qualidade. As ferramentas de busca nasceram praticamente junto com a interface www da internet. Na primeira geração, tivemos os diretórios (Yahoo! e similares). Logo em seguida, vieram os robôs (spiders) e as tecnologias automatizadas (Altavista). A terceira geração veio com os metabuscadores (Miner’s). Logo em seguida, veio mais refinamento na organização dos resultados (All The Web). O Google, reunindo sofisticação e muita abrangência, trouxe o Page Rank para a web, e marca a quinta geração. Juntar vários tipos de arquivos diferentes em uma mesma busca (textos e imagens, por exemplo) é o foco da sexta geração (A9), que está se desenvolvendo. A sétima geração é marcada pela qualidade na seleção das informações, por meio das análises inteligentes de conteúdo.

As diferenças são baseadas no tempo, no nível de tecnologia e nas funcionalidades, basicamente. Existem outras classificações, essa é uma sugestão. Os diretórios tinham (e têm) muita informação inserida de forma manual, e estão estruturados em classificações de sites, por temas, onde se pode encontrar a informação “buscando” ou “navegando”. Isso passou a ser feito, posteriormente, de modo automatizado, com robôs digitais visitando as páginas e fazendo as categorizações. Quando alguém pensou em juntar, em um único resultado, as informações de vários motores de busca, vieram os metabuscadores. É quase lógico querer mais, e o foco passou a ser a melhor seleção das informações, quando o AllTheWeb foi a novidade, fazendo exatamente isso. Na seqüência, veio o Google, com um rankeamento de importância das páginas, onde uma pagina muito “votada” (apontada por links ou pointers) é mais importante que as demais, além de utilizar também outras tecnologias.

Um buscador tradicional usa, basicamente, tecnologia. Mais e melhores tecnologias geram melhores resultados. O Google, por exemplo, tem uma grande estrutura de computadores de alta performance (algo em torno de 150.000 máquinas ou mais), que respondem às buscas. Os ontobuscadores têm uma proposta inovadora, que mescla altas tecnologias inteligentes com antigos e milenares conhecimentos e práticas da filosofia, materializados na Engenharia de Ontologias, onde se vai à essência dos conceitos e objetos. Por exemplo, um conceito pode ser igual a outro, ou pode ser similar, ou pode ser simplesmente conexo ou relacionado. Um objeto pode “ser parte” de algo, ou, dentro da sua estrutura, pode ter “diferentes partes” no seu todo. Uma porta automotiva, por exemplo, faz parte de um carro, mas também tem suas próprias partes, e também pode ter similaridades com a porta de uma casa. A inovação dos ontobuscadores é transformar isso em um coeficiente de hierarquização de documentos, de forma a que, quando procuro por “chave”, por exemplo, alguns desses conceitos do objeto “porta” podem ter relevância (fechadura), e outros não (vidro, forração). Não se chega a um resultado satisfatório, nesse campo, somente com tecnologia, é necessário um outro tipo de desenvolvimento, onde se “programa” diretamente o conhecimento, organizando-o adequadamente. Isso é uma das formas de aplicação da Engenharia de Ontologias.

O Google é o buscador mais utilizado do mundo pela mesma razão que Windows domina o mercado de sistemas operacionais e o formato VHS dominou o mercado de vídeos caseiros, e, no caso do Brasil, o Fusca foi um campeão de vendas: ele é fácil de usar e acessar, mostra rápido suas qualidades e tem pouca complexidade (de uso) no modelo básico. Outros buscadores são mais complexos, com mais estrutura conceitual e contém mais variações. Mas quem consegue reunir mais qualidades genéricas em um único clique, atualmente, é o Google, não há duvida. Porém, sabemos que todos os exemplos citados possuem defeitos crônicos, o que não os impediu de serem lideres de mercado. A evolução do Google é fantástica, e eles fizeram algo muito significativo pela cultura digital, e isso deve ser reconhecido. Mas o usuário da informação digital quer sempre mais e melhores informações. Mais consistentes e mais fiéis. Melhor organizadas e melhor selecionadas. Na mesma linha de comparativo, o VHS e o Fusca ainda têm espaço no mercado, mas já não lideram seus segmentos. No âmbito das ferramentas de busca, isso já aconteceu antes, com as outras gerações, e vai acontecer de novo. E o futuro aponta para as ontologias.