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Campinas - Uma equipe de 10 pós-graduandos e estudantes de graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é responsável pelo sistema de inteligência artificial, a ser usado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Genebra. A equipe desenvolveu o software - chamado Sistema Olimpo - em um ano, como projeto de pós-graduação, apenas com recursos de uma bolsa de doutorado e duas de mestrado. O Olimpo já é um produto registrado no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e será o único trabalho brasileiro a ser apresentado na 8a Conferência Internacional de Inteligência Artificial e Direito, a ser realizada em New Orleans, EUA, em maio próximo.
O sistema recupera rapidamente e de forma hierarquizada, as resoluções de segurança da ONU, a partir de um banco de dados informatizado (em inglês). Além das buscas comuns, por palavras chave e datas, as resoluções podem ser recuperadas a partir de textos completos, inseridos de qualquer editor de texto conhecido (Word, WordPerfect, HTML, etc). São empregadas técnicas de inteligência artificial e engenharia de conhecimento para potencializar a procura dos documentos, uma “supertecnologia”, que deve agitar o mercado de bancos de dados nos próximos anos, porque pode ser aplicada a outros tipos de documentos.
“Para nós já foi uma surpresa termos sido selecionados entre os 20 melhores trabalhos da conferência anterior, em Oslo, na Noruega. Agora fomos selecionados novamente e nosso software foi apresentado aos representantes da ONU pelo professor brasileiro Tarcísio Della Senta, que foi reitor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade das Nações Unidas, em Tóquio, Japão, até dezembro passado”, conta Hugo César Hoeschl, coordenador jurídico do grupo, ex-delegado, promotor e Procurador da Fazenda Nacional em Santa Catarina.
Este é o décimo sistema de inteligência artificial desenvolvido por integrantes desta equipe e o terceiro registrado no INPI. Os outros trabalhos servem para a busca de informações jurídicas em bancos de dados e estão reunidos no grupo de trabalho multidisciplinar Ijuris ou Inteligência Jurídica. “Fizemos questão de registrar o software e obtivemos o registro em tempo recorde - apenas 6 dias! Temos uma grande preocupação com a ausência de proteção jurídica a pesquisas brasileiras, que tem causado enormes perdas para o país”, explica Hoeschl. “A falta de registros adequados provoca a transferência informal de tecnologias para os países desenvolvidos, quando os pesquisadores brasileiros vão estudar no exterior, desenvolvem pesquisas lá e não registram seus trabalhos, como foi o caso da fibra ótica, por exemplo”.
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