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Pesquisadores ligados à UFSC desenvolveram o mais avançado sistema de busca em banco de dados do mundo, que pode vir a ser utilizado pelo Conselho de Segurança da ONU. O projeto começou a ser desenvolvido em 1995, tornou-se uma tese de doutorado em Engenharia de Produção e, em 2001, deu origem ao software Olimpo, concebido especialmente para ser doado ao órgão das Nações Unidas.
Ao invés de fazer a busca a partir de uma palavra-chave, o programa permite ao usuário digitar um texto com até 15 mil caracteres - tecnologia denominada Pesquisa Contextual Estrutu-rada. O Olimpo usa recursos de inteligência artificial. “Ele entende o conceito das palavras”, diz Marcelo Ribeiro, mestrando em Engenharia de Produção e um dos pesquisadores que desenvolveu o software. “Se você pesquisa ‘secretário-geral’, ele sabe que não é nem ‘secretário’, nem ‘geral’”, explica Hugo César Hoeschl, autor da tese de doutorado que deu origem ao programa. Depois, analisando a semelhança entre pedido de busca e documentos do banco de dados, apresenta um resultado de forma hierarquizada. O usuário pode, ainda, escolher um ano, sigla ou país que deva ser privilegiado na procura.
Quando idealizou o software, Hugo sabia que apenas um banco de dados com documentos muito importantes justificaria um sistema de busca tão sofisticado. “Uma noite, estava em casa refletindo, e pensei no Conselho de Segurança da ONU, que tem os documentos mais importantes do mundo.” Um dos membros da banca examinadora, Tarcisio Della Senta, ex-vice-reitor da Universidade das Nações Unidas, em Tóquio, e ex-diretor do Instituto de Estudos Avançados da ONU, não apenas aprovou o trabalho como ficou impressionado com a nova tecnologia. No final do ano passado, o pesquisador apresentou o Olimpo em um Congresso da ONU, na China, onde fez contato com outros membros da instituição. Agora, espera que o governo brasileiro faça o encaminhamento burocrático para a doação. “Quero mostrar que o Brasil fabrica tecnologia de ponta”, diz Hugo.
Na versão atual, o banco de dados do Olimpo armazena as 100 resoluções do Conselho de Segurança disponíveis na Internet. Uma nova versão do software, que deve sair ainda este ano, trará mais de 300 documentos. A ONU irá dispor de uma ferramenta para atualizar o programa. “Para busca em domínios específicos, como os documentos do Conselho, fica mais fácil do que empregar essa tecnologia em programas como o Google, que pesquisam toda a Internet”, explica André Bortolon, doutorando em Engenharia de Produção.
Além de André, Hugo e Marcelo, os outros principais responsáveis pela criação do Olimpo foram Eduardo Matos e Tânia Bueno, esposa de Hugo. Eduardo é mestre e Tânia mestranda em Engenharia de Produção na UFSC. O projeto contou com a colaboração de duas alunas de Direito, Cristina Souza Santos e Aline Junkes.
Para continuar desenvolvendo suas pesquisas e poder lançar os produtos no mercado, o grupo de pesquisadores que trabalhava com Hugo criou, ainda em 2001, a empresa WebIS, no bairro da Trindade, próximo a Universidade. A mesma tecnologia empregada no Olimpo possibilitou à WebIS a criação de outros softwares de busca, como o Alpha Themis (ver matéria publicada dia 18 no Unaberta), o Jurisconsulta e o IO2, que faz pesquisa nas listas das Páginas Amarelas. A empresa é a responsável, no Brasil, por desenvolver a tecnologia UNL - Universal Network Language - que realiza a tradução de conversações na Internet.
Hugo e Tânia foram selecionados para as duas últimas edições do Icail, um congresso mundial que reúne, a cada dois anos, os 20 melhores trabalhos que integram inteligência artificial e direito. “Todos os trabalhos eram apenas teóricos, publicações, ‘papers’, e os nossos eram os únicos que funcionavam”. Os pesquisadores irão participar do Congresso Ibero-americano de Inteligência Artificial, entre 11 e 15 de novembro, em Sevilha, Espanha, onde apresentarão quatro trabalhos.
No começo de novembro, Hugo lançará o livro “Sistema Olimpo: tecnologia da informação jurídica para o Conselho de Segurança da ONU”.
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