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03/12/2003

Defesa

Kmai pode auxiliar investigações no Paraná

Em sua defesa de mestrado o coordenador de informática da polícia civil paranaense abordou o uso de T.I. na investigação criminal e revelou planos de adotar o sistema no Estado.

Cerca de 85% das delegacias do Paraná estão informatizadas, e isso se deve a visão de futuro do Delegado Eduardo Marcelo Castella, membro do Instituto de Governo Eletrônico, Inteligência Jurídica e Sistemas (Ijuris) que defendeu sua dissertação de mestrado na pós-graduação do curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na última sexta-feira, dia 28 de novembro. O trabalho, intitulado “Investigação Criminal na Era do Governo Eletrônico”, é um estudo de caso, focado na atuação da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) e na possibilidade de estruturar a aplicação de sistemas utilizando Inteligência Artificial e Gestão do Conhecimento no auxílio às atividades investigativas.

A banca foi composta pelo orientador, o primeiro P.D. em e-gov do Brasil, professor Hugo César Hoeschl; pelo psicanalista e Sub-chefe do Departamento do Curso de Psicologia, Carlos Augusto Remor; pelo diretor-executivo da Associação Brasileira de Analistas de Inteligência Competitiva e professora da Unisul, Walter Félix; e pelo professor da PUC do Paraná, o doutor em Direito das Relações Sociais Paulo Roberto Ribeiro Nalin. Foram duas horas de apresentação, envolvendo a apresentação do atual mestre e as perguntas e observações levantadas pelos avaliadores.

Um delegado sentado em uma escrivaninha cheia de papel, alguns homens armados conversando e tomando café, e presos aguardando seu destino. O primeiro trabalho de Castella foi apagar o estereótipo de delegacia que a maioria dos cidadãos tem como verdade. “Poucos tem noção da dinamicidade na delegacia, do trabalho de pesquisa e investigação realizado constantemente pela equipe” discursa o Delegado. E na seqüência ele destrinchou a estrutura organizacional do serviço policial civil chegando ao ponto do processo investigativo e em como a aplicação de tecnologia pode ser útil aos policiais e ao cidadão.

Como ferramenta de apoio tecnológico, o delegado descreveu a metodologia desenvolvida pelo Ijuris, para auxiliar na análise de bancos de dados e tomadas de decisões: o KMAI -.Knowledge Management with Artificial Inteligence. Unindo Gestão do Conhecimento e Inteligência Artificial, diferencial apresentado pela metodologia desenvolvida pelo Instituto, seria desenvolvido um sistema para analisar os boletins de ocorrências (B.O.), documento onde se localizam as descrições dos crimes assim como um histórico do crime, traçando maiores detalhes além dos dados preenchidos nos campos pré-estabelecidos. Com a aplicação do KMAI também é possível realizar o cruzamento de informações com outros bancos de dados disponíveis à polícia civil.

Foco - A dissertação de Castella analisa, em primeira ordem, a aplicação do sistema aos crimes de roubo, mais especificamente aos assaltos a cobradores de ônibus. De acordo com o delegado, durante o ano de 2002 foram registradas 9.732 ocorrências policiais na DFR. Se somado aos registros das delegacias distritais, esse número passa de 19 mil. No caso de roubos a ônibus, os números são menores, mas mesmo assim se acumulam nos procedimentos policiais. No mesmo período já mencionado, foram registrados cerca de 2.400 roubos a ônibus e tubos (transporte rodoviário com organização semelhante à utilizada nos metrôs).

Do total de crimes registrados na DFR apenas 11% estão no cartório, caracterizando início ou meados de procedimento formalmente instaurado. “Muitos desses casos são realizados por uma mesma quadrilha e as investigações poderiam ser realizadas já com essa premissa”, afirma o delegado Castella. Já prevendo a implantação de um programa de georeferenciamento, utilizado para relacionar o número de ocorrências com suas localidades, o coordenador de informática afirma que com os dois sistemas implantados será possível obter “um mapeamento do crime com as áreas de maior incidência, seus horários de pico, características e modus operandi de seus autores”. Com isso muitos dos casos analisados separadamente poderão agrupar-se em um único processo investigativo auxiliando no trabalho da polícia e agilizando o serviço prestado ao cidadão.


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